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TOTOBOLA DE SEGUNDA-FEIRA Só para dizer que o meu voto foi enviado por correio na sexta feira e, por isso, ainda não chegou. Não chegou mas vai chegar. Quer dizer vai chegar, mas de certeza que não chega. Não chegará para evitar que os 4 deputados eleitos pelos emigrantes vão para a direita. Não confundir emigrantes com imigrantes, que esses trabalham mas não têm direito a voto, embora se votasse Só para dizer que o meu voto foi enviado por correio na sexta feira e, por isso, ainda não chegou. Não chegou mas vai chegar. Quer dizer vai chegar, mas de certeza que não chega. Não chegará para evitar que os 4 deputados eleitos pelos emigrantes vão para a direita. Não confundir emigrantes com imigrantes, que esses trabalham mas não têm direito a voto, embora se votassem, talvez também fosse à direita. A grande diferença seria que, se todos os que trabalham em Portugal tivessem direitos civis, seria dificil ter outra campanha a falar de 10% da população como ‘eles’, os ‘outros’, como se eles ...

The boy and the soldiers

Sitting on the riverbank I watch what floats by. The stream brings a child sitting on a hospital bed. He must be 12, about my son’s age. A bandage hangs from his left shoulder where his arm should be. He cries conpulsively, in a foreign language, so I can only imagine what he is saying. His wailing reminds me of phantom pain, and the tearful words seem to mourn the sudden amputation of his childhood, possibly performed without anaesthetic. But then I realise that his cries may refer to a deeper pain. Maybe the blast that took his arm also took his mum. Maybe all his family, as many in Gaza these days. Before this story enters into a loop, I flick it away with my thumb, making the stream move forward. Another image stops in front of me. Three young men on a desert road dance to Staying Alive by Bee Gees. Their faces look very familiar to me. But it’s not easy to see their faces. They are partially covered with helmets and their bodies are surrounded by military gear. They don’t sp...

Aos papeis, a fazer correr muita tinta

No dia de Reis, estiveram frente a frente na CNN Portugal duas estrelas. De um lado A.ventura, a agora decadente estrela dos debates Presidenciais 21. Do outro Rui Tavares, a estrela em ascendência dos debates S.bento 22. Os dois homens-estrelas têm em comum serem lideres de partidos que são quase pseudónimos de si próprios, sendo ambos partidos que aparecem nos boletins de voto escritos em letras maiúsculas. Para além destas 3 coincidências, o homem-CHEGA! e o homem-LIVRE não poderiam ser mais diferentes. O debate teve muitos 'pontos altos', quase todos da responsabilidade de Tavares, mas o comentador-de-cabelo-lambido da CNN destacou aquele em que A.ventura mostrou uma folha de papel de fotocópia em branco para ilustrar o trabalho legislativo do LIVRE no combate à corrupção . ‘Um grande momento de televisão’ disse Rui Calafate antes de se recostar na cadeira com ar de satisfação pelo momento de televisão que ele próprio tinha acabado de protagonizar. Este especialista em c...

Lado a lado, a boa atriz e o candidato da extrema-direita

 Começaram os enfrentamentos entre os lideres de partidos concorrentes à Assembleia da República.  Participam os partidos que conseguiram eleger representação parlamentar nas eleições de 2019. Para sabermos quantos eventos estão planeados, basta dividirmos 362880 por 10080 e temos 36 frente-a-frentes de 25 minutos cada. Falta só multiplicar este número por um número ainda indeterminado de horas de debates entre comentadores televisivos e mais alguns milhares (milhões?) de linhas de postagens e comentários nas redes sociais. Há quem lhes chame debates, mas cada participante tem 12 minutos para falar, e outro tanto para olhar para quem fala, por isso há muito poucas oportunidades para diálogo. Felizmente as estações de televisão possuem recursos tecnológicos que lhes permitem dividir a tela em duas. Assim podemos ver a cabeça que fala lado a lado com as reações da cabeça que ouve. A cabeça que fala tem de o fazer muito depressa para dizer tudo o que tinha preparado para dizer. A...

Nós

Logo no início d este artigo , Miguel Sousa Tavares revela o grande equívoco que fundamenta o seu pensamento peçonhento sobre colonialidade. Num comentário lateral, MST critica o escritor Cabo-verdiano Mário Lúcio pelo seu ‘fraco uso desta extraordinária língua que lhe deixámos em herança’. Independentemente do que se ache sobre as qualidades literárias do texto ‘Como está-tua ex-celência? ‘, para MST o autor Cabo-verdiano escreve numa língua que a sua tribo herdou da ’nossa’ tribo. MST sente-se parte de um ‘nós’ especial, constituído pela história para avaliar o uso que ‘eles’ fazem do legado que ‘nós’ espalhámos pelo mundo. É como se hoje a língua pertencesse a Tavares mais do que pertence a Lúcio, tendo este de ter especial cuidado com a forma como a usa. Enebriado por imaginar-se nessa posição de autoridade, MST prossegue no seu tom habitual, demolindo tudo menos estátuas. E nem sequer repara MST na contradição em que cai poucas linhas depois. A história é nossa e não deles ...

the mortality of Gaia

To be aware of the mortality of Gaia, to grow up not only knowing that one is going to die, and that the Earth is going to die, but also that it might happen soon. I remember the feeling when I was told that the sun is growing and that in a few thousand years it will become impossible to live on Earth. a fw thousand years sounds scary enough. it feels foundational to one's cosmology. But to feel that the whole world might not last a century... Is this the fate of my children? or theirs, at best? PHOTO LINO MAGALHAES

Minute nods

Life in the city is made possible by a fragile web of mutual trust, though a filigree of unspoken pleasantries, and an intricate meshwork of altruistic gestures. A permanent exchange of mute interrogations and minute nods between strangers forms a complex language that ensures the common conditions for survival. Of course we can see bodies looking past other bodies, trying to walk though, overtake, get there before them, without knowing very well where exactly is there, or whether there is in fact a desired place, or if what there is to do there is actually what needs doing. But that is always what is emphasised when talking about the city, isn't it, the rat race. It's a gross version of urban metabolism in which life and its processes are reduced to competition between contained unities, as if one had just arrived from a rushed reading of the theory of evolution and had forgotten how life is sustained by a convuluted tangle of symbiotic connections with other animals, pla...
Only white people are able to achieve the advanced level of abstract sophistication necessary to say that it is indifferent to have Macron or LePen as president.

O fintas adorava era azeitonas

And so the story goes that a perfect gentleman, surrounded by animals – those that he kills for fun, those that keep him company, those that provide him with entertainment, those that he uses for sport, and those that he eats, all of them never to be moved from one category to the other – refuses one day to be deferential to power. he didn't just challenge a more powerful person than himself – he had done that a lot in his heyday. what he did was to confront power itself. the power that doesn't allow horses to be eaten, and accepts guinea pigs to be tortured for the advancement of knowledge, and doesn't encourage dressage with cows, or the abattoir to be turned into a bettable spectacle. And so he refused to be painted in this scene, surrounded by all these animals in their very strict functions of service to himself so as to avoid contributing to the food chain of power.

safe on face

Mark yourself safe on face Discuss the cowards and the brave Confuse sympathy with blame Flatten it all on a plain When grief is impossible Yet compelling and respectable Make the survivors perishable Even if it's improbable Mourn for those you'd ignore Fear to walk the same floor Let the dark city roar Then multiply the tolls Let uncertainty loll Over the coming polls

Screen Vertigo

Here I am, on top of a building in Hong Kong facing three kids who hold a selfie stick. It's making me go vertigo big time. I feel it in my chest, alongside my admiration for the fact that their legs don’t tremble like mine. In a second the picture of my kids pops up just as I close the browser. And it’s another strong stream of emotions that flushes through my body. A body that is still sitting on the same chair in Caffe Nero.

Churn

Propelled by perpetual churning  the city pulsates. i t throbs. e nticing its residents  to fight expulsion,  to desire being digested  by its never ending swirl.  that pushes its objects  through made up circuits,  uneven spirals.  T he long tails of movements and transactions  trace intricate filigrees in the urban atmosphere,  new non-linear axes  that become a new order  for reason. As we forget the square lines that never existed we find new ways of pressing onto uneven surfaces, of moving through volumetric spaces, of perceiving time in matter, of meddling with the uncanny. As if we had finally realised that what we perceive as forms and feelings are nothing but temporary entanglements of wider strings, propagating in spacetime geometries across the planet... and beyond.

De novo

alguém entra de repente. é um ex-amigo ou um ex-amante. alguém que vem tornar evidente aquele espaço entre o querer fazer sentido e a vontade de me esconder em mim próprio é a criança que eu substituí por engano, ou o artigo que eu li mas não consigo lembrar aonde é o amigo reencontrado ou encontrado de novo na expressão "de novo" a surpreendente ambiguidade entre novidade e repetição.

Este tempo em que o ultraje é o principal mecanismo de amplificação de mensagens ultrajantes

Um fadista de boa voz mas duvidoso talento escreveu na sua pagina de facebook um comentário racista, homofóbico, e ignorante (passe a redundância). O pessoal reagiu revoltado, ultrajado, levando o autor do comentário inicial a nova posta, desta vez com leitores em número multiplicado, insultando os que o criticarem de não serem tolerantes com a sua opinião. O Público publicou um texto sobre a "notícia", citando uma entrevista à revista Flash onde o fadista confirma o seu racismo e homofobia dizendo que as reacções provêm de pessoas que "saltam dos armários ou saltam das cubatas". Ora a única coisa que se ganhou com esta polémica foi ficar a saber que o fadista João Braga é também um idealista nostálgico que sonha com um tempo em que os negros viviam em cubatas e os homossexuais tinham de esconder a sua sexualidade em 'armários' secretos. É muito pouco ganho para a disseminação da sua mensagem que as reacções provocaram. Não se espera que a formalização das ...

Conta Comigo

Carlos chamou Carla com convite para conhecer a cidade Carla chegou com o comboio combinado Carlos contava a cidade com cacofonias e cheiros de carros, catedrais, cemitérios, comícios, cânticos, cataratas de chuva. Compensava a carência de cores com criatividade. Conhecia cada canto como casa. Com carícias, confissões comestíveis, canteiros de conversas, Cegos conseguem construir cores.

Cobweb sunset

--> As I stretch to cuddle the horizon A naked tree stirs the daylight with its sharp claws All the textures feel wrong I try to cling to the changing colours While dreams hang loose Suspended by spider silk That's when the sun weaves its cocoon w ith pink and orange threads Before diving in the sea Dragging along l ight and distances 

Cavaco poeta

Carneirinhos! Sem tirar a cabeça do caminho, Escutem bem as palavras Deste vosso sábio pastor. Que foi ele que em tempos derramou O asfalto onde enterrais os vossos pés: Fomos todos bem sucedidos. Avaliados e aprovados. Em breve chegaremos à terra prometida. Cumpriremos o nosso destino. Seremos recompensados por tanto esforço. Será uma praça Com forte cheiro a cera derretida Roque Santeiro estará no meio Dançando com Blimunda empanturrada Ao som da flauta interna do Padre Passos E os 3 levantarão vôo até desaparecerem numa nuvem. Quem mo disse foi a minha santa mulherzinha Com quem pratico muito amor e Partilho uma fé inabalável nas minhas ovelhinhas.   Agora vá lá  Continuem a caminhada Que senão os senhores da troika ainda vos tiram o canudo.

Aprender a Contar

Até agora pudemos dar-nos ao luxo de sermos indivíduos. Tipo, Apareceu-me hoje um indivíduo lá no escritório… Ou tipo, O que me interessa é estar de bem com a minha consciência individual. Pudemos ser indivíduos, cada um com o seu perfil. Cada um mais um comentador politico competindo por atenção na rede, imitando aqueles indivíduos que na televisão e na rádio criticam outros indivíduos sem serem capazes de se entenderem com qualquer grupo para fazer seja o que for. Até agora, fomos indivíduos, relacionámo-nos singularmente, com sistemas burocráticos, cada uma de nós mais um eu, todas diferentes todas iguais, todas jogando o mesmo jogo de singulares.   Até agora temos sido livres para sermos indivíduos, todos com objectos iguais nos nossos espaços privados: cada um com a sua TV, o seu micro-ondas, o seu computador pessoal, a sua chaleira eléctrica, a sua torradeira, o seu telefone esperto e a sua rede de WIFI separada da dos seus vizinhos por uma password super secret...

Quantitative vs qualitative

For those to whom 8 million or 10 million  don't mean much, here's the qualitative evidence in all its rhetorical power. The baroness's funeral was so expensive it made the chancellor of the exchequer cry.