Sunday, 4 June 2017

safe on face

Mark yourself safe on face
Discuss the cowards and the brave
Confuse sympathy with blame
Flatten it all on a plain

When grief is impossible
Yet compelling and respectable
Make the survivors perishable
Even if it's improbable

Mourn for those you'd ignore
Fear to walk the same floor
Let the dark city roar

Then multiply the tolls
Let uncertainty loll
Over the coming polls







Tuesday, 23 May 2017

Screen Vertigo

Here I am, on top of a building in Hong Kong facing three kids who hold a selfie stick. It's making me go vertigo big time. I feel it in my chest, alongside my admiration for the fact that their legs don’t tremble like mine. In a second the picture of my kids pops up just as I close the browser. And it’s another strong stream of emotions that flushes through my body. A body that is still sitting on the same chair in Caffe Nero.

Tuesday, 9 May 2017

Churn

Propelled by perpetual churning the city pulsates. it throbs. enticing its residents to fight expulsion, to desire being digested by its never ending swirl. that pushes its objects through made up circuits, uneven spirals. 
The long tails of movements and transactions trace intricate filigrees in the urban atmosphere, new non-linear axes that become a new order for reason.
As we forget the square lines that never existed we find new ways of pressing onto uneven surfaces, of moving through volumetric spaces, of perceiving time in matter, of meddling with the uncanny.
As if we had finally realised that what we perceive as forms and feelings are nothing but temporary entanglements of wider strings, propagating in spacetime geometries... and beyond.





Monday, 24 April 2017

Minute nods

Life in the city is made possible by a fragile web of mutual trust, though a filigree of unspoken pleasantries, and an intricate meshwork of altruist gestures. A permanent exchange of mute interrogations and minute nods between strangers forms a complex language that ensures the common conditions for survival. 

Wednesday, 19 April 2017

De novo

alguém entra de repente. é um ex-amigo ou um ex-amante.
alguém que vem tornar evidente aquele espaço

entre o querer fazer sentido e a vontade de me esconder em mim próprio

é a criança que eu substituí por engano, ou o artigo que eu li mas não consigo lembrar aonde
é o amigo reencontrado
ou encontrado de novo

na expressão "de novo"
a surpreendente ambiguidade entre novidade e repetição.


Wednesday, 1 March 2017

Este tempo em que o ultraje é o principal mecanismo de amplificação de mensagens ultrajantes

Um fadista de boa voz mas duvidoso talento escreveu na sua pagina de facebook um comentário racista, homofóbico, e ignorante (passe a redundância). O pessoal reagiu revoltado, ultrajado, levando o autor do comentário inicial a nova posta, desta vez com leitores em número multiplicado, insultando os que o criticarem de não serem tolerantes com a sua opinião. O Público publicou um texto sobre a "notícia", citando uma entrevista à revista Flash onde o fadista confirma o seu racismo e homofobia dizendo que as reacções provêm de pessoas que "saltam dos armários ou saltam das cubatas".
Ora a única coisa que se ganhou com esta polémica foi ficar a saber que o fadista João Braga é também um idealista nostálgico que sonha com um tempo em que os negros viviam em cubatas e os homossexuais tinham de esconder a sua sexualidade em 'armários' secretos. É muito pouco ganho para a disseminação da sua mensagem que as reacções provocaram. Não se espera que a formalização das queixas traga qualquer sanção de efeito substantivo. Também não é provável que provoque algum acto de introspecção do fadista ou daqueles que, agora com maior probabilidade, possam  entrar em contacto com a sua peculiar perspectiva sobre escravatura, relações raciais, liberdade sexual, e liberdade de expressão.
Mas mesmo assim é irresistível escrever, reagir, e ao fazê-lo, partilhar, multiplicar audiências, e transportar uma perspectiva odiosa, anti-humanista e insidiosa para partes da esfera pública onde ela pode encontrar forma de germinar. Com é intrincado este dilema do tempo em que o ultraje se torna o principal aliado do ultrajante.

Thursday, 16 February 2017

Carlos chamou Carla com convite para conhecer a cidade
Carla chegou com o comboio combinado

Carlos contava a cidade com cacofonias e
cheiros
de
carros,
catedrais,
cemitérios,
comícios,
cânticos,
cataratas de chuva.

Compensava a carência de cores com criatividade.
Conhecia cada canto como casa.

Com carícias, confissões comestíveis, canteiros de conversas,
Cegos conseguem construir cores.


Wednesday, 27 May 2015

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As I stretch to cuddle the horizon
A naked tree stirs the daylight with its sharp claws
All the textures feel wrong

I try to cling to the changing colours
While dreams hang loose
Suspended by spider silk

That's when the sun weaves its cocoon with pink and orange threads
Before diving in the sea
Dragging along light and distances 

Friday, 21 November 2014



Wednesday, 15 May 2013

Cavaco poeta

Carneirinhos!
Sem tirar a cabeça do caminho,
Escutem bem as palavras
Deste vosso sábio pastor.
Que foi ele que em tempos derramou
O asfalto onde enterrais os vossos pés:

Fomos todos bem sucedidos.
Avaliados e aprovados.
Em breve chegaremos à terra prometida.
Cumpriremos o nosso destino.
Seremos recompensados por tanto esforço.

Será uma praça
Com forte cheiro a cera derretida
Roque Santeiro estará no meio
Dançando com Blimunda empanturrada
Ao som da flauta interna do Padre Passos
E os 3 levantarão vôo até desaparecerem numa nuvem.

Quem mo disse foi a minha santa mulherzinha
Com quem pratico muito amor e
Partilho uma fé inabalável nas minhas ovelhinhas.

 
Agora vá lá 

Continuem a caminhada
Que senão os senhores da troika ainda vos tiram o canudo.

The History of Words

Before words, each person's thoughts could develop freely without the intervention of strangers’. If someone liked an other, a warm gest...